Gusmo e Romão teimavam, vaidosos.
Romão contrariava, em gesto:
-Onde vais com esse quadro, tão branco?
- Vou
sentir cada traço, vivê-los,
Em mar de cores naufraguei.
- Não verás no entanto a arte.
- A vida é
um spa e sala de terapias;
Onde estão
as cores da infância?
Resta-me um vazio em moldura!
Resta-me um vazio em moldura!
- Gusmo,
amigo, cacos pelo mundo!
A arte é espalhada, inalcançável.
Madrugada e conclusão das vidas!
- E a
felicidade? Fim em si?
Alvo
colorido, arco querido?
- A
felicidade, Gusmo, é trajetória.
Resumo de
viver como quem não chora.
- As cores
estavam lá, doutor –
Gusmo a
olhar, próprio, para si.
Romão
desaprovava a consulta interna:
- A
felicidade é o caminho, a morte é o fim!
- Terapeuta
e paciente, buscamos juntos,
Cegos, as cores no quadro do spa.
A pergunta,
a resposta, a prescrição:
Perda de
tempo inadiável?
Num abraço,
sentiram-se sem chorar:
Gusmo e
Romão quadro por pintar?
Amizade mil
vezes lapidada?
- Romão,
aquele é o quadro de outrora!
- Acredita,
pois, na arte e, sem ter fim,
Vê as cores paradas no quadro:
O branco
guarda a toda infância!
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